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sábado, 20 de dezembro de 2014

DIÁRIO 2000

DIÁRIO 2000


 (O céu desaba sobre a terra) 



 Jamais imaginei que esse ano pudesse ser tão crucial para mim,amor e ódio,duas linhas laminadas me retalhando a cada alvorada e crepúsculo. Resquícios do legado deixado por alguns inimigos do ano anterior ainda se faziam presentes e dentro de pouco tempo aumentariam como uma bola de neve. Um efeito dominó que em seguida se transformou em uma reação em cadeia. Logo de início eu testemunhara,ou melhor,fui vítima da pobreza de espírito e da torpe cultura do estado onde vivo:O Rio de Janeiro. Isso porque logo no 1ºdia de aula(1º para mim e acho que 2º ou 3º para outros,pôs eu quis fazer charme e ir depois do 1ºdia)eu apareci com uma camisa de pano quadriculada ao estilo grunge,aberta e por cima de uma camisa de malha comum. Ainda haviam muitas pessoas procurando suas salas e em um dos passeios pelos corredores do colégio eu escutei um comentário que com certeza foi direcionado a mim,um negro escroto disse ao seus colegas:''Maior calor!!!!Maior calor e o cara vem vestido assim!''detalhe:O dia estava nublado e a uns 27 gº. É realmente sufocante a cultura dos cariocas,falam de mais por não ter nada a dizer e ficar com poucas roupas ou semi-despido no frio é menos insensato que ficar com uns acessórios a mais em uma temperatura tépida(branda,nem fria nem quente). Definitivamente não entendo a linha de raciocínio desses bossais. Ao achar meu nome em uma das portas que inclusive era a professora Sônia,de ciências que estava lá dando aula,eu troco algumas palavras com a professora com a maior presença e olho para a sala também com a maior presença e vejo Marcos Vinícius e duas meninas bonitinhas uma atrás da outra. Tive um''inside''.Derrepente senti inexplicavelmente a sensação de que algo entre eu e a menina da frente iria acontecer,seja lá de que forma e seja lá o que fosse. Ela se chama:Glaucia. Esse foi o início do meu paraíso e do meu inferno. Foi o preparo para o divisor de águas que ocorreria a 1 ano e 3 meses depois. Essa divisão seria a minha morte.''Morto aos 16 anos,agora eu sou apenas a cópia do protótipo que fui um dia'' Narrativa do eu atual. O que me motivou a querer ir atrás dessa menina foi o fato de que ela ficou me seduzindo. E eu,menino inocente me permiti iluminar-se disso,tanto que em poucos dias eu já estava agindo como sempre agira com quem tenho interesse. Hoje sei que grande parte da culpa foi minha por ter sido tão estúpido e não ter agarrado ela logo,haja vista a possibilidade refletida em suas atiradas a mim,por pouco faltou ela esfregar a bunda em mim. Demos uma pausa nas aulas em decorrência do carnaval. Um dia em casa,já caída a noite,eu estava nos fundos de casa revoltado com empasses do ano anterior e comecei a executar uns golpes como que simulando acertar e massacrar o tal adversário. Derrepentemente eu acerto a corda de varal que ainda por cima estava dobrada em duas e a porrada foi tão grande que minha mão direita arriou o varal até o máximo que ele podia(tudo em frações de segundos) e ARGHHHHH!!!!!!!!!!! Senti uma dor muito forte,mas muito forte mesmo. Agüentei calado e pensei:''Algo está errado'' acontecera alguma coisa com a minha mão. Tomado por uma dor que me causava enjôo me sentei com as costas apoiadas na geladeira e quando encontrei uma brecha na dor eu peguei minha mão e olhei. Ela estava torta,muito estranhamente torta,logo percebi que eu a havia quebrado. Cheguei na sala e estava minha mãe assistindo tv. Eu disse a ela:''Mãe...quebrei a mão''. A reação já é imaginada por vocês leitores e vou pular. Fomos para o pronto socorro e no ônibus um senhor olhou para a minha mão que naquela altura já estava com um ''ovo'' de inchaço. O máximo que ganhei de atendimento foi um raio X e uma calha de gesso para eu agüentar até ser operado. Foi a 1ªvez que fui engessado,ainda que só com uma calha para manter os meu mindinho e o anelar esticados e depois ter o braço envolto com gaze por completo. Eu senti o calor do gesso esquentando enquanto secava no meu braço,aquilo era novidade para mim. A dor permaneceu quando deitei para dormir,mas eu sabia que já tinha sentido dores piores que permaneciam depois do acidente,como por exemplo queimaduras É claro que a dor que senti na hora da quebra do metacarpiano e depois de alguns minutos foi a maior que já tive,o contraste foi que mais tarde a dor desceu para um nível que eu podia suportar então eu dormi. O período de carnaval foi todo levado pelas constantes buscas de atendimento nos hospitais a fim de ter a minha cirurgia feita. Minha mãe me levou de hospital em hospital tanto de São Gonçalo quanto de Niterói,vários e vários. Em um deles um senhorzinho disse para mim e minha mãe que não tinha jeito. Eu perguntei se eu ia ficar aleijado. Ele disse para eu ficar calmo e me acostumar porque era a vida. Saí de lá com uma depressão tão grande que já me via com a vida acabada,sem poder namorar e casar. Tristeza e angústia em cima de angústia,só pensamentos tristes. No fim dessa saga só conseguimos a tal cirurgia na Clínica Santa Juliana,no Ingá. O 5ºmetacarpiano que foi fraturado já havia consolidado no metacarpiano ao lado,o 4º. Fiquei internado esperando ser atendido. Dos figuras que me lembro de lá eram um rapaz de uns 20 anos na cama ao meu lado esquerdo(no meu lado direito tinha parede)também tinha um descendente de chines que falava muito de filme um meio paraíba,sei lá e um velho que chegou um tempo depois. Esse velho encheu tanto a paciência em uma noite chamando a enfermeira e pedindo os seu leite gelado. Eu ainda jovem e sem controle,me levantei e puxei a cordinha para chamar a enfermeira por várias vezes repetitivamente,ou melhor,pneumaticamente. A enfermeira chega e pergunta quem ficou tocando a campahia. O pessoal diz que fui eu,mas que era porque aquele senhor não parava de reclamar o leite que queria. Depois disso o rapaz ao lado diz em tom calmo que eu estava muito nervoso. Se não me engano,eu só fui fazer a cirurgia no 3ºdia,esses foram os 4 dias mais longos e caustrofóbicos da minha vida. A parte divertida era quando os pacientes voltavam ''chapados'' de anestesia depois da cirurgia. Um garoto negro de 14 anos que foi o ultimo a chegar,foi deixado pela mãe lá quase chorando. Ele já não podia ficar na sala das mulheres porque já tinha idade de rapazinho,embora o esteriótipo dele parecia o de um menino de 10,sem contar o comportamento medroso e vulnerável. Os homens lá do quarto perguntaram quantos anos ele tinha. Ele disse 14,daí o tal rapaz da minha esquerda falou:''E esse aqui tem 15 e não fica desse jeito''. Ele se referia a mim. Deram um calmante para ele parar de chorar e aconteceu um efeito colateral:ela ficou caindo da cama e tiveram que amarrar ele. O rapaz de 20 anos foi o primeiro a voltar da cirurgia do fêmur quebrado. A reação de início foi ficar quieto,viajando de vez em quando. Ao passar o efeito da anestesia local ele começou a gemer de dor pela noite dizendo que deveriam inventar anestesia que durasse até a cura. Depois foi o cara do perfil de tiozinho pedreiro. Que engraçada a viagem dele. Ficou mexendo com quem passava na rua,lá da janela. Ficava cantando umas músicas que pareciam serem inventadas por ele. Todos nós riamos!!! Tive uma visita da minha mãe que trouxe frutas e uns biscoitos em contidade a ser dividida para o pessoal. Me senti como nos filmes em que o personagem principal vai em ''cana''. Ela me disse que o meu pai estava esperando lá fora e que ele assinou a DIRECTV. Eu fui até a janela e dei um alô a ele. Quando finalmente chegou a enfermeira dizendo que seria minha vez de entrar na faca eu fiquei feliz,porém com uma certa ansiedade,é claro. Na sala de cirurgia o cirurgião estava sentado no chão e me fez algumas perguntas de prache,dentre elas o meu peso. Sabe o que eu fiz?Eu disse um peso com 5kg a menos do que eu realmente pesava,porque eu sabia que dessa forma eu relativamente receberia uma quantidade menor da anestesia geral e voltaria viajando menos que os outros. Deitado na mesa de cirurgia,chega a anestesista dizendo cantando para mim enquanto cravava a agulha de soro no meu braço:”Abre e fecha a mãozinha,abre e fecha a mãozinhaaa”. Já o cirurgião aplicou a anestesia local ele mesmo,em uma veia do meu pescoço que provavelmente essa convergia para o meu braço direito. Enquanto era aplicada eu senti um gosto estranho(acredite,o meu paladar sentiu o líquido correndo na veia do meu pescoço)enquanto isso o cirurgião ficava dizendo:”Você não é o senhor kung-fu,não é?Agora você vai viajar. Vai tomar o expresso para a Never Land”. Quando acordei eu estava ouvindo os falatórios com eco,sabe,reverberação de drogado,mas tudo isso por causa da droga no soro. Ao voltar para a minha cama eu tracei uma meta psicologia que consistia em ficar lembrando a mim mesmo a todo instante que eu estava em um estado químico alterado e deveria me segurar no que ia dizer ou fazer. O cara do meu lado olhou para mim e fez o gesto ''papo firme'' com o polegar,daí eu também fiz o gesto para ele. Daí ele faz o gesto novamente,esperando que eu o correspondesse novamente. Então eu disse:”Você está fazendo isso só para ver se eu estou chapado” Passada a cirurgia e o período de transição eu recebi alta. Quando cheguei em casa,pouco tempo depois vieram os instaladores da TV por assinatura. Em cerca de 12 horas depois ela foi habilitada e eu fiquei me esbaldando com as opções. Back to school,com o braço enfaixado,eu tinha que contar com a ajuda de outra pessoa para copiar o dever para mim. A Camila se ofereceu para copiar. Nesse período,em casa,eu fazia fisioterapia e insistia tocar violão mesmo com o braço enfaixado. Afinal de contas eu só precisava do indicador e do polegar e nenhum desses foram comprometidos. No recreio da escola surgiu a tal Gláucia com uma amiga dela e veio puxar assunto comigo me perguntando por quê que um sujeito havia falado determinada coisa para mim(foi um merda qualquer que passou camuflado entre outros e camuflando a voz também,pôs sabia o que eu faria se descobrisse quem foi). Eu dei uma resposta e tal. Depois ela ficou fazendo uns gracejos e eu fiquei todo sem graça. Como eu era inexperiente! Resolvi derrepente brincar um pouco e testar a menina bancando aqueles clássicos admiradores secretos e comecei a mandar mensagens dando algumas pistas. Era adrenalínico e dava um frio na barriga ver ela perguntando com a folha na mão quem tinha isso,quem tinha aquilo. Quem tinha 15 anos e quem tinha cabelos castanhos? Foi um ano marcado por algumas brigas na escola,dentre outras coisas. Já parei na secretaria várias vezes e outro que também acabou indo para lá certa vez foi um tal de felipe que eu chamava de Butt-head acusado pelas 2 mais gatinhas da sala de ter enviado mensagem pornográfica para elas. Mas a Camila me disse depois que não ligou para isso,só foi a secretaria porque Gláucia muito insistiu. E ele havia me pedido para fazer um um desenho de Gláucia só que depois ele pegou o desenho e copiou para outra folha desenhando ela nua e de Camila não. De volta a sala,um colega de classe que eu não me lembro o nome,mas que parecia o Lulu Santos disse a mim em relação ao desenho que até então já havia passado de mão em mão:''É assim que você gosta dela?''. Então eu olhei para Felipe e apontei que foi ele que fez ela nua aproveitando o desenho que eu fiz,aliás,não só ele como várias outras pessoas também pensaram que fui eu porque sabiam que eu desenhava. Mas aí que está,por que eu deveria respeita-la como santa se ela não era. De certo que eu queria namorar ela,sim,sim,eu queria. Era tanto paixão quanto atração sexual sem dúvida que me esfriasse. Mas de contra-partida todos sabíamos que ela era promíscua e ela mesma nem fazia nada para se livrar dessa imagem,muito pelo contrario,quando um aluno disse que a viu beijando 3 garotos em uma tal casa de shows ela dizia que era mentira.''Não foram 3,foram 5''Dizia ela,toda vagabunda

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