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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Capítulo II - Colégio Pedro Gomes

No segundo semestre de 2003, cursando supletivo da oitava série à noite, com embotamento emocional, anemia espiritual e pouco depois da missão não concluída da igreja manahai, Eu estava sedento por uma nova missão que desta vez fosse concluída. Exatamente dia seguinte à missão da manahai do Iguaçú, à tarde, o sombra Fernando surge em minha casa na companhia de Haziel para organizarmos melhor a missão. Fui atendê-los. Fernando informou que Haziel chamaria um conhecido que tinha catorze anos e que era feio mas tinha uma namorada bonita, infatizou o descendente de português. Não me lembro que lugar tramávamos a invazão. Me lembro apenas do clima de sincretismo e falta de foco. No meio da conversa perguntei se o tal sujeito era de confiança. Haziel respondeu que ele gostava de rock e era legal. Eu disse que eles não deveriam sair por aí falando a todos sobre o assunto e que antes Eu teria que conhecer para saber se Eu o aprovaria ou não. O Sol se põe a noite cai. O Sol nasce, um outro dia surge. A campainha toca novamente. Lá estavam Haziel e Fernando. Caminho até o portão e eles chamam o aspirante a novo sombra que estava fora da minha reta de visão. Eis que surge o Tyler. Confesso que logo de início não gostei muito dele, um tipinho entre o moreno e o mulato, de boné, parecendo ser bem comum. Custou-me muito acreditar que tal pessoa era um apreciador de rock. Mas foi cordial e abriu sorriso. Haziel sem demora veio avisar sobre a sugestão do novo aliado. O aspira por sua vez, explica sobre o colégio que ja estudara e explica de forma não cênica, sem dissimulação aparente. Percebi que ele queria ser integrado à irmandade. Com algumas poucas falas pude notar que ele era roqueiro sim. O tom semi tímido e sem presença de fanfarrão eram características. Se do contrário ele fizesse alguma piada ou tivesse alguma atitude de banzeiro, seria cortado, expurgado da missão.

    Colégio Pedro Gomes, a chama já estava acesa! O objetivo seria levar tudo de valor que por lá estivesse e não ocupasse espaço. Eu queria saber onde era o colégio. Pois só o endereço por eles mencionado era insuficiente, então saímos para a clássica visualização. Ao chegarmos no bairro Granizo seguimos pela extensa rua onde se encontrava o colégio. Era um colégio pintado de verde médio e verde claro, com um pequeno muro e em cima do muro, grades.

  • Havia um portão no meio e à direita o muro era do mesmo esquema. No caminho do portão existe um espaço nivelado com acalçada, com uns dois metros e depois uns degraus.
  • O colégio fica à um metro acima do nível da rua para ser melhor visualizado. No lado esquerdo. No lado esquerdo fica a secretaria e no meio um pátio. Na direita ficam as salas, em três andares.

    Foi tudo que minha memória conseguiu registrar e armazenar na breve passagem. Passaram-se alguns dias e Eu aturando a feia turma onde Eu estudava. Garotos feios e garotas feias. Homens feios e mulheres feias balzacas. Que Eu me lembre só havia uma com quem Eu ficaria, mas para namorar não daria certo, era mais velha e possuía uma certa marca no rosto que deve ter conquistado em uma briga ou acidente de infância, como o tocar de uma faca quente. Não era muito aparente, era sutil na verdade. Só olhando de determinado ângulo se notava. Dentre os professores havia uma professora de
espanhol que era muito divertida, simpática e que me lançou uma prova com uma questão tão óbvia que Eu cogitei se não era uma “pegadinha”. Ela sussurrou em meu ouvido:

—É que essa turma é muito tapada!

    Para completar o time de freaks do corpo discente, uma aluna que ficava puxando assunto comigo e dando em cima de mim que Eu jamais ficaria com ela. Em uma dessas se manifesta a professora
de português. Esta é um elo de ligação com outra pessoa que irá aparecer capítulos adiante. Ela diz:

—Vamos prestar atenção na matéria? Ela só fica aí paquerando o garoto.

    Passaram mais alguns dias e a irmandade estava às 19:00hs na minha casa. Conversamos no meu quintal. Haziel pergunta se tenho uma irmã mais nova.

—Tenho. Como você sabe?
—Ué, por que que quando termina a prova fica triste?
—Eu estou triste?-Ela pergunta

    Então Eu o vejo acenar com os olhos para minha direção. Sendo sintético e avançando no tempo, só me lembro de ter voltado na sala no intervalo entre uma professora e outra e preparei uma folha
de papel com uma mensagem profanando o nome dela e colei com saliva na parede do fundo da sala. Algumas alunas avistaram antes e mostraram para ela. Veio a reação. Ela retorna com a coordenadora. Depois de passar o sermão na turma e sair da sala por alguns minutos a menina retorna e chama meu nome de lá da porta. Droga! Um maldito delator teve coragem de dar com a lingua nos dentes. Na secretaria estávamos nós três: A coordenadora, a menina e Eu.

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