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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Capítulo 17 - Anne - A glória tem dois polos

A grinalda de fogo brilhava em seus olhos. Era o Sol da manhã refletido em seu rosto. No retrato um sorriso místico capturado se expõe. Ainda que não em filme, mas em um feche de elétrons, ainda que de modo não convencional, ela me puxou. E foi o norte da bússola, a trilha para o novo horizonte. Eu senti por dentro uma tristeza disfarçada de resínio. Bem... você me faz lembrar de como Eu era, mas de joelhos. Incompreendida, mas com dezenas a mais ao seu redor. Você é bem mais forte que Eu, mas é tão fraca. E Eu mantive-me reticente quanto a me jogar por inteiro. Era tarde! Eu já via meus pensamentos e minha instância de mundo girando em torno de você, como a água no tanque que gira e desliza para o centro que é seu ventre. A glória tem dois polos, mesmo sabendo que um dia se transformarão em um só, diferente. Eu sou o oposto renegado pelo seu eu que outrora lhe concederia a resposta dentro de um prazo que terminou. Talvez ela queira acreditar na mentira por ter sido a forma mais substancial ao seu ver para se afastar do que mais teme: a mim e a sí própria. Eu arriscaria dizer o principal motivo do primeiro e principal problema. Quando superestimamos alguém considerando-a especial e sabemos que ela apresenta traços de particularidades que a diferem da grande massa assim como também somos (nós os raros) e de repente ouvimos uma crítica à nossa conduta, o transtorno é ainda maior, pela decepção. Os opostos se atraem e os polos iguais(iguais?) se repelem. Eu poderia ser como os outros homens e elogiar o tempo todo, fingir gostar do que ouve, mas Eu sou muito sensível, gosto de respeito e não admito ser criticado. Eu poderia ser como os outros homens, pois eles sabem jogar porque sabem ouvir besteiras e elas passam despercebidas. Eles são cavalinhos concedendo suas costas para a filhinha mimada de um burguês. Cumprem bem este papel, Eu não. Sigo tranquilo sabendo que não fui Eu quem iniciou as críticas, apenas adotei a postura crítica após ser criticado. Aí sim a minha enxurrada de ataques teve início. Em setembro de 2008 uma ninfeta chamada Isabela, que à pesar de roqueira era cabeça de vento e fraca de conversa, me cozinhou. Eu criei um certo nível de afinidade, mas no dia de sairmos Eu liguei para ela e ouvi uma das desculpas mais esfarrapadas que alguém já me disse:

 —Eu tenho uma reunião. Eu estou no salão agora fazendo o ca - belo e daqui à pouco vou pra uma reunião. Não dá para entender, pois ela ficava me estimulando dizendo: “Vamos marcar sim, pô!”. Joguei ela para escanteio. No mesmo mês Eu conheci através da internet uma novinha chamada Thays. Fomos nos conhecendo e adquirindo intimidade aos poucos. Em 17 de abril de 2009, Thays e Eu marcamos de nos encontrarmos. O problema é que foi pela manhã no colégio dela. Ela era bem mais criança que pensei. No dia saímos do colégio e fomos para uma lanchonete comer um italiano, um refrigerante e conversar. Marcamos de se encontrar à noite na praça. Como era distante da casa dela e seria á noite, ela levaria amigas. Eu fui sozinho. Levei um CD da minha banda para ela. Conversamos em grupo e depois as amigas nos deixaram à sóis. Eu acariciei seu queixo e de - pois disse em seu ouvido sussurrando: —Você é uma gracinha, sabia?

 —Rsrsrs, obrigada! Acariciei seus cabelos e então a beijei. O beijo dela era tímido e às vezes ela não sabia o que fazer com a língua, mas foi melhor do que Eu esperava, pois Eu já havia beijado outra que era pior em beijar. Thays tinha um universo muito infantil e de fato era muito jovem e de baixa estatura, Eu, mais velho e mais alto. Não demos certo e terminamos antes mesmo de começar. Hoje ela é uma famosa modelo fotográfica regional. Em outubro, navegando na internet em casa e acessando uma rede social que hoje não está mais em uso, embora ainda exista, Eu verifiquei uma comunidade de góticos criada pelo Haziel que inclusive ele me convidou a participar. Neste dia, logo na página da frente da comunidade virtual Eu me deparei com a foto de uma linda menina que se destacava das outras oito pessoas. Tratei de adicioná-la como amiga. Assim que ela aceitou a solicitação Eu tentei enviar mensagem e a rede impedia. Então adicionei-a de um segundo perfil cujo e-mail era sansuke-009@(prestadora).com, que antigamente pertencia ao meu principal perfil. Aí sim, consegui a comunicação. Ela disse que o mesmo aconteceu com ela a meu respeito. Eu até brinquei dizendo que alguma coisa estava nos impedindo de nos comunicarmos e ela disse que também achava isso. Certa tarde minha irmã me vê conversando com ela através de um comunicador instantâneo e Eu digo que é uma novinha que Eu conheci e que ela era legal, porém tem apenas 15 anos e que era só amizade. Minha irmã responde:

 —Ué, tem umas de 1 que são mais maduras que algumas de 20. Em pouco tempo de conversa brigamos. Eu reagi à uma crítica e ela reagiu à minha defeza. Fiquei tão irritado que fui extremo nas palavras grosseiras e a bloqueei, sabendo que de momento ela revidaria, mas depois de alguns minutos ela seria mais comedida, selecionando melhor as palavras. Passados cinco minutos, Eu a desbloqueei e ela disse que ficou triste e ainda usou o termo descer o nível. Eu repliquei dizendo que desci ao nível dela naquele momento. Ela usou aquela tática de jogo para parecer estar pôr cima.

 —Se te disse algo que te ofendeu e te magoou, desculpa. Antes do ano terminar já estávamos de quase bem, conversando novamente. Tão rápido, so fast, surgiu uma pedra no caminho que não precisou ela me dizer, Eu observei os indícios pelas mensagens de status. Mantive a neutralidade e o estilo “boa-praça”, no problem. Surge a notícia de que a cantora Beoncè viria ao Brasil em janeiro de 2010. E que Anne iria ao show, embora fosse roqueira. O meu Eu lírico era visto por mim mesmo como um homem infelizmente mais maduro, mas Eu esperava contar com o meu carisma. Além do mais o meu estilo roqueiro e jovial deixava alguns rapazes de 18 anos à perder. Eu já tinha 22 anos , porém, com a aparência de 19. Chega como fronte eminente e com atmosfera pós-apocalíptica o ano 2010. Não havia algo que acendesse uma chama que mudasse o meu estado de espírito do tépido para o quente. Apenas uma razão que mesmo sob minha visão positiva de em alguns meses, o anseio não satisfeito, ainda sim não me causava nada. Um templo evangélico estava sendo concluído ao lado da casa da minha tia, em Laranjal. Meu pai já residia próximo dali e estava fazendo o que nunca imaginei um ex-empresário dono de uma multi-estadual. Ele estava ajudando na obra, virando massa. Eu em um rasgo de generosidade e pena do “coroa” estar sendo explorado pelo velho Osvaldo e em troca de nem tão alta grana, portanto, resolvi ajudar, até porque ele daria 30% do que ganharia para mim. Eu estava desempregado e entediado, então convergi para a área capial, roceira, para ganhar umas pratas. Eu já havia trazido um dinheiro comigo. A endorfina vinda do exaustão no fim das obras, os músculos adquiridos e o forte molho de pimenta á disposição nas refeições recompensavam. Só o fato de Eu estar fora de casa e absorvendo o clima bucólico e simplório do lugar e das pessoas, já me inspirava a planejar o que Eu faria na volta.


 ***



 O mascarado até então chamado pela alcunha de Kazuya, continua a escavação adiando a construção dos outros cômodos da casa subterrânea. Com o campo 1 terminado e estruturado, não tão robusto quanto planejou, mas, estruturado, ele já cavara agora cerca de 300 metros de túnel ao lado esquerdo do fim do campo 1 e 300 metros do lado direito. O objetivo é cavar mais 100 metros do lado esquerdo e direito. Só depois disso ele começaria a escavação de mais dois túneis de 1000 metros na direção da frente, tanto à esquerda quanto à direita. Em seguida ela escavaria um túnel lá na frente para fechar o quadrado.

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